domingo, 19 de setembro de 2010

Night.


Não gosto do gosto doce da tristeza, prefiro o gosto da tristeza caótica sôfrega da máquina inquieta do sofrer que te enrola a noite como uma serpente. Olhares difusos por entre a nuvem de fumaça cinza do teu cigarro te fazem rir. E a cabeça tão leve quanto a garrafa vazia em cima do balcão. Passos tortos em direção ao insólido fim da noite, sopros químicos das palavras arranhadas que saem da tua boca, colidem no muro vermelho de teus lábios entre sussurros mórbidos. Na luz fosca que parte a escuridão da rua, a solidão fria de um olhar congela teus dedos e teu sorriso insano. A noite chega ao fim e traz um novo dia, e na tua mente vazia o reflexo no espelho de um rosto imaginário que deixa na garganta a amarga ilusão e os olhos embriagados no labirinto da tua loucura.




Géssica Marques.

Dark Streets.


São nessas ruas escuras e frias que estão meus pensamentos percorrendo a solidão como na palma fria da tua mão, todas as coisas que não fiz escondem-se por entre os muros noturnos dessa ilusão. Nos passos duros do teu corpo encontro um ponto final no meio-fio da calçada, amanhece a noite de chuva fina, percorro as ruas da noite rumo as tuas canções e encontro nos teus olhos o fim frio da noite e os clamores desejando a redenção. Na noite que passou percorri as ruas escuras no teu pensamento e perdi-me dentro das lembranças que não sonhei, mas que deixam em mim o mesmo gosto vazio da tua voz, que nego escutar nas ruas escuras por onde nunca andei.

Géssica Marques.

Tears Falling.


O que faz as lágrimas caírem todas as noites? Sentir uma angustia apertando teu peito, a cada gota de ilusão que escorre pela face que continua a olhar todas as histórias em vão. Continuar correndo em busca daquilo que só dentro de você realmente existe, manter uma certeza que não é real, uma mentira infindável, que de tanto negá-la e alimentá-la com fatos que nunca presenciei, tornou-se a única coisa que existe aqui dentro, o único motivo pelo qual continuo mantendo aparências falsas, e fingindo não sentir nada, mas me machucando.
Dia após dia olhando para os mesmos lados e nenhum deles me mostra uma saída ou um jeito de esquecer tudo isso. Não vejo mais nenhum sorriso antigo, nenhum plano perfeito, só vejo o passado sombrio e todas as dores que ele trás, não importo-me mais com os dedos que apontam as minhas fraquezas, e os olhares que continuam a esperar as minhas respostas, todos de certa forma esquecerão tudo isso, e eu vou continuar aqui com os olhos abertos, vivendo imagens que se formam dentro da minha ilusão.
Porque essas lágrimas continuam caindo todas as noites? Elas caem em vão, elas já não trazem o alívio de antes, elas ferem ainda mais o que resta de mim, há muito tempo que elas caem e mesmo com o passar de tudo, o motivo continua sendo o mesmo. A cada noite um pouco de mim tem sido arrancado aqui dentro, à cada lágrima que cai uma história é contada sem palavras, uma verdade é dita, mas não há ninguém aqui para escutá-las, uma a uma vão aumentando o vazio que existe aqui dentro, e o que fazer a cada noite de solidão, que a única saída é deixar o desespero atacar-me, fazendo com que o choro seja uma súplica, e deixando assim tudo vir à tona mostrando-me que meu mundo e tudo dentro de mim tornou-se uma vontade, uma dor inexplicável e que resta apenas um vazio e uma solidão enorme, que toda noite quando me vejo só com meus pensamentos deixa-me imersa na escuridão, apenas com o som das lágrimas caindo.


Débora Germann/Géssica Marques.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Achievements.


Eu quero, eu real e sinceramente desejo do fundo da minha alma insistir em continuar, sempre. Insistir em ser quem eu sou, insistir em sorrir, buscar o melhor das pessoas. Ser viva em música, em céu, em cores, na melodia. Tentar sentir o vento tocar meu rosto e pentear em meus cabelos, olhar as estrelas, cheirar o mundo. Sentir o tanto de vida que há lá fora... Abrir a porta, seguir em frente... Mesmo que seja sem um rumo certo, mesmo que eu saiba qual esquina quero dobrar, mas não saiba como chegar à esta esquina. Eu quero!
Mas eu ainda me sinto presa aqui dentro, eu ainda não tenho a chave certa que abre a porta para que eu possa sair, aliás, eu ainda não tenho nenhuma chave em minhas mãos, eu quero sair por ai sem fugir. Eu não quero fugir, eu quero que quando eu chegue lá na frente eu possa mostrar o tanto de chaves que eu consegui, tirá-las do meu bolso, com orgulho, e mencionar cada conquista, lembrar de cada pequena gota de suor, que escorregou pelo meu rosto até que eu conseguisse a tão esperada chave. Eu só não sei se eu consigo. E eu sei que se eu ficar aqui parada eu nunca vou saber se eu conseguiria. Mas e se eu sair por ai, e ter de voltar para casa, sem nenhuma conquista, e ao invés de uma gota de suor no rosto, uma lágrima? E se o que eu voltar trazendo nos bolsos forem pedras - que me atiraram pelo caminho -, ao invés das chaves? Se for para ser uma derrotada, eu acho que prefiro não lutar! Embora, eu fique para sempre na dúvida...
Se eu conseguisse ter coragem para sair... Mas eu não gosto de voltar com más notícias... Mas e se der tudo certo? E se nem for tão difícil assim, para conseguir pegar estas chaves? E mesmo se for difícil... É ai que esta a graça. Mas eu acho que não prefiro pensar pelo lado mais positivo, afinal, sempre que eu pensei pelo lado bom, o mundo deu um jeito de me mostrar o quão enganada eu estava. E se eu pensar que será horrível, o que acontecer não será pior do que o que eu penso, poderá ser igual, mas não pior, e assim estarei preparada para tudo. Eu só preciso de coragem! E eu a terei!


Débora Germann.

domingo, 5 de setembro de 2010

Along the way.




É horrível procurar a solução quando você não sabe nem onde está o problema.
Quando se bota o pé na estrada e você trilha boa parte do caminho, focada no seu ideal, você percebe que está na metade da estrada e você tem uma ponte de madeira, quase quebrada, e você tem medo de atravessá-la e cair, você recua, olha para traz e vê o quanto foi bonita sua caminhada, vê os lugares por onde a vida te levou, as pessoas que te mostrou, e você percebe que neste tempo todo você esteve fixado em seu ideal e não aproveitou nada, não lembra mais do brilho no olhar dos outros. Você para e compara sua caminhada com o seu objetivo e vê que a caminhada tinha muito mais valor. Você vira e tenta correr para voltar e tentar tudo de novo, só que dessa vez você já saberia como seria bom viver cada sorriso e cada lágrima, mas você não consegue, a vida não te dá essa chance, mas mesmo assim, você ainda tem metade do caminho para trilhar até chegar ao seu objetivo, têm metade da estrada para sorrir. Mas não se conforma. Você queria era voltar. Olha para frente, e continua seguindo, e enquanto caminha fica pensando na primeira parte da caminhada, pensando naquilo que fez de errado, e não aproveitou. Chega ao seu ideal. E é ai a onde você aprende a viver, e que deveria ter deixado o passado, no passado, mas aí... aí o seu tempo já acabou.

Débora Germann.

My ghosts.





Tudo caiu ao meu redor. Restou você. Por você estou aqui, em lugar nenhum e sem você, acompanhada de ilusões, gritos e fantasmas que eu mesma criei, tentando te esquecer, criei fantasmas que me fazem te lembrar, que me fazem sofrer e que não querem mais me largar.
Fantasmas gostam de sofrimento, e vivem comigo porque sou a pessoa que mais os alimenta, com meus gritos, minhas agonias, que você me traz.
Acho que sou meu fantasma, porque mesmo sabendo que é você que me faz sofrer, continuo amando-o e me alimentando do meu sofrimento.






Débora Germann.

Change.



[...] E vai ser sempre assim, pois já faz parte de mim, o meu destino é sempre procurar. [...]

Estive procurando músicas que pudessem expressar aquilo que eu sentia em relação à você. Não encontrei. Estive procurando palavras dentro de mim, que conseguissem formar uma pequena frase, onde estivessem todos os meu sentimentos por ti. Elas não existem. Só há um vazio. Eu nunca vou conseguir escrever aquilo que eu realmente sinto, ninguém nunca vai saber o que se passa por dentro de mim, mas isto não é por eu não ter vontade de comunicá-las de tudo o que se passa na minha cabeça e no meu coração. Todos os que até hoje, pararam para me ouvir, não entenderam o que se passa, e não é tão complicado assim. Acho que o que eu preciso, é ter alguém para amar. Acho que o que eu preciso mesmo é ter alguém para ME amar.
Porque nunca deu certo? Eu acho que eu nunca tentei, para dar algo certo. Eu desaprendi a olhar nos olhos das pessoas, eu tenho medo delas, eu tenho que acabar com esta minha inferioridade. Eu vou mudar, vou fazer o melhor para mim. Vou me arriscar, e se não der certo no começo e no meio, eu corro atrás, e faço dar certo, pelo menos no final. Não vou mais me arrepender, afinal até hoje eu só me arrependi daquilo que eu não fiz, então, agora vou fazer tudo o que eu tenho vontade, no instante em que eu tiver vontade, não importando quem esteja perto de mim. Vou olhar nos olhos de cada um que passar por mim, sem medo de ver as mentiras, e as verdades que cada um esconde, eu vou lutar pelo que eu julgo ser certo, e se em certo momento eu achar que o errado esta certo, eu lutarei pelo mesmo.



Débora Germann.

Ice.


Eu não sei escrever, eu não sei falar, eu não consigo entender, eu nem sei mais chorar. Eu poderia estar encarando isto de uma maneira diferente. Seria melhor se eu não me arrependesse, se eu não quisesse voltar a traz. Eu sei que se o tempo voltasse eu faria tudo igual outra vez, o tempo passaria e eu estaria aqui, querendo fazer o tempo voltar, sem motivo algum.
Eu não quero, e não consigo admitir que agora eu tenho dúvidas sobre o que fazer e o que deveria ter feito, por tua culpa. Seria melhor se tu não existisse (eu sei que eu adoro me enganar). Seria melhor se eu tivesse continuado a andar sem olhar para lado nenhum, eu estava indo bem, eu estava me tornando mais fria. Qual foi o dia em que eu resolvi olhar para o lado, e te enxerguei? era animador antes, depois de tanto tempo sem notar nenhuma presença ao meu lado, mas depois, como sempre, o que era bom se transforma em lágrimas, e eu continuo achando que deveria me tornar fria, deitar na rua à noite, esperando a a água que cai das estrelas cair sobre o meu corpo, e me levar para longe, tomar um copo de sangue e colocar um gelo no lugar de um coração. E se isto estivesse machucando os outros, eu nem me importava mais. Eles me machucaram muito mais, e eu não fui capaz de falar uma palavra se quer. Se eu tivesse conseguido ser capaz de não sentir nada, eu não sei se seria melhor, mas pelo menos eu não estaria chorando, ou talvez eu estivesse, só que sem um motivo, como na maioria das vezes.
Tu ta certo. Eu acho que tu merece algo bem melhor, mas eu acho que ninguém aqui te merece. Eu não sou o bastante pra ti, e tu não é o bastante pra ninguém.
Quem não deveria existir era eu, ou quem sabe eu nem exista.


Débora Germann.