domingo, 19 de setembro de 2010

Night.


Não gosto do gosto doce da tristeza, prefiro o gosto da tristeza caótica sôfrega da máquina inquieta do sofrer que te enrola a noite como uma serpente. Olhares difusos por entre a nuvem de fumaça cinza do teu cigarro te fazem rir. E a cabeça tão leve quanto a garrafa vazia em cima do balcão. Passos tortos em direção ao insólido fim da noite, sopros químicos das palavras arranhadas que saem da tua boca, colidem no muro vermelho de teus lábios entre sussurros mórbidos. Na luz fosca que parte a escuridão da rua, a solidão fria de um olhar congela teus dedos e teu sorriso insano. A noite chega ao fim e traz um novo dia, e na tua mente vazia o reflexo no espelho de um rosto imaginário que deixa na garganta a amarga ilusão e os olhos embriagados no labirinto da tua loucura.




Géssica Marques.

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